Existe uma diferença enorme entre o que os candidatos falam em época de campanha e o que realmente pode cumprir após eleito, a participação popular deve ser constante, isto é, antes, durante e após os períodos eleitorais, não faz sentido um governante não dar importância a aclamação popular após empossado, desta maneira seria mais fácil estes serem escolhidos por currículo, avaliações e não por votação democrática, a autocracia não deve ser contemplada como unanimidade pela sociedade brasileira, esta que atualmente passa por um crise relativo a ética, moralidade, participação e poder.
Não é raro após eleito um governante "achar" que é o representante legítimo da vontade popular, pois recebeu maior número de votos, sabemos no entanto que o adversário vencido possuía propostas e apoio de boa parte da população. Com o amadurecimento dos eleitores já podemos vislumbrar idéias como "gestão participativa", mas como pode ser definido um modelo de gestão participativa que seja palpável na atualidade, na realidade dos atuais níveis educacionais da população.
Gestão participativa no tocante das teorias de teoria da administração corresponde a um conjunto de princípios e processos que defendem e permitem o envolvimento regular e significativo dos colaboradores na tomada de decisão, ou seja, mesmo elegendo um representante para ter voz nas instituições, este eleito mantem contato regular com os eleitores afim de ser direcionado conforme seus desejos.
No quadro da evolução das teorias da administração, a «gestão participativa» tem a sua origem no «movimento das relações humanas» que se difundiu a partir dos célebres estudos conduzidos entre 1924 e 1933, por Elton Mayo, na Western Electric’s Hawthorne, nos Estados Unidos. Estes estudos e a investigação que se lhes seguiu mostraram a importância do «factor humano» nas organizações relativizando, assim, a ideia de que era possível uma racionalidade da gestão baseada na «organização científica do trabalho», como defendiam Fréderic Taylor e os seus seguidores, desde o princípio do século.
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Os novos candidatos a cargos eletivos já perceberam a eficácia do modelo de gestão participativa, a cidade de São Paulo foi exemplo desta realidade, onde na ultima campanha de 2008 foram apresentadas cerca de 1500 propostas para serem anexadas ao plano de governo, sugeridas por organizações da sociedade civil. As propostas são um materail muito rico, visto que são resultados de debates realizados entre as organizações junto a população, e no geral foram apresentadadas propostas de como garantir que a sociedade seja mais justa, governo transparente e formalização de instrumentos para que seja um governo participativo. Estiveram presente vários candidatos a prefeito, muitas idéias foram aproveitadas em seus planos de governo por Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab e Marta Suplicy.
Atualmente podemos citar os conselhos, existe conselho para praticamente tudo, conselho de saúde, segurança, tutelar, assistencia social, habitação, cultura, entre outros. Mas facil é perceber que não atrae o interesse popular, talvez pela sua complexidade ou forma de constiuição que muitas vezes não permitem articulação entre governo e sociedade civil.
O modelo de gestão proposto, deve ser centrado no trabalho em equipe celulares e interdiscipliares, na construção coletiva (planeja quem executa) dos servidores governamentais e em colegiados que garantem que o poder seja de fato compartilhado com o controle da população, por meio de análises, decisões e avaliações construídas coletivamente. Tais colegiados são espaços coletivos tanto dos gestores e dos servidores quanto dos usuários. Espaço onde se discute e se tomam redirecionamento de decisões no seu campo de ação de governo de acordo com as diretrizes previamentecontratos definidos.
Como sempre ficam algumas perguntas para reflexão.
Como podemos falar em gestão participativa sem antes mudar a concepção de política de toda a população?
Como inserir e conscientizar a população sobre os benefícios da participação e gestão popular?


